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Máscaras caseiras de pano são mesmo eficientes contra o coronavírus?

Máscaras caseiras de pano são mesmo eficientes contra o ...

Bem, em primeiro lugar, é preciso lembrar que essa versão mais recente do coronavírus (SARS-CoV-2) é tão nova que ainda não há estudos absolutamente conclusivos sobre a eficácia de diferentes equipamentos de proteção, que funcionem como barreiras físicas ao patógeno. A
gora que o tecido veio à tona, precisamos falar dessas opções.

A recomendação emitida pelos órgãos e hospitais aos profissionais de saúde que tratam de pacientes com COVID-19 é para que usem as máscaras respiratórias N95, porque elas bloqueiam pelo menos 95% das gotículas expelidas pelos doentes e formam uma vedação hermética sobre a boca e o nariz do usuário. As outras máscaras cirúrgicas convencionais são mais simples, para impedir respingos, e podem também evitar contaminação por germes, mas não se comparam com as N95.

“Máscaras têm o objetivo de proteger a mucosa (tecido mole dos olhos, nariz e boca) da chegada de gotículas contaminadas e também impedir a saída de gotículas do paciente doente para infectar outra pessoa ou o ambiente. O uso é bem indicado para pessoas doentes, o que evita a disseminação de gotículas delas para o ambiente ou para outras pessoas”, confirma Rafael Mialski, médico infectologista da Associação Paranaense de Infectologia, em entrevista ao Canaltech.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que apenas profissionais de saúde e pessoas com sintomas ou com casos confirmados da COVID-19 usem máscaras. Essa era a mesma diretriz do Ministério da Saúde brasileiro até esta semana. Contudo, diante da falta do produto nas prateleiras e do avanço do novo coronavírus por aqui, o ministro Luiz Henrique Mandetta disse, nesta quarta-feira (1) que "qualquer pessoa" pode fazer máscaras de pano como barreira para o patógeno.

Um estudo publicado em 2008 na biblioteca nacional de institutos de medicina do Estados Unidos, a PLoS One, mediu o número de partículas em ambos os lados de máscaras usadas por um voluntário, enquanto ele se sentava, falava e caminhava. A pesquisa comprovou que as N95 bloqueiam melhor as partículas respiratórias do que as cirúrgicas, que, por sua vez, são mais eficientes do que as caseiras feitas de pano. Ainda assim, o levantamento concluiu que essas últimas, embora não sejam as mais adequadas, ainda fornecem alguma proteção.

Outro dado curioso foi que as máscaras de pano foram removidas menos vezes pelos voluntários, sugerindo que são mais confortáveis, e, por isso, têm menos chances de serem retiradas sem necessidade — o que aumenta o risco de exposição. Por outro lado, os cientistas não consideraram especificamente a capacidade e a disposição das pessoas de observar a higiene das máscaras, o que inclui saber quando e como trocá-las.

É importante lembrar que os voluntários foram solicitados a usar as máscaras apenas por algumas horas, em um experimento de laboratório específico, fazendo o que os pesquisadores pediram. “Intuitivamente, parece uma boa ideia (usar máscaras caseiras), mas seu mau uso pode facilitar a infecção. A superfície externa da máscara tende a se contaminar com as gotículas que podem conter vírus, e não só o novo coronavírus. Frequentemente vemos pessoas com a máscara no pescoço, depois ela volta para o rosto, é encaixada abaixo do nariz, por vezes inverte na face”, destacou Mialski.

Nos Estados Unidos, alguns hospitais estão pedindo que a comunidade faça máscaras de pano porque, além de envolver as pessoas em uma atividade em grupo e solidária com a crise, esses modelos podem agir como um bloqueio simples ao novo coronavírus e quaisquer outros germes menos perigosos — preservando, assim, as N95 ou cirúrgicas para os casos mais graves.

No Brasil, ainda não há registro de médicos substituindo as peças mais importantes por outras de pano em situações de menor risco. “Nos serviços que eu trabalho e conheço, isso ainda não está acontecendo. O que está acontecendo é uma prorrogação da validade de uso das máscaras N95, autorizada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), dentro de balizas técnicas e de segurança; e uma corrida pela possibilidade de esterilizar esses materiais”, conta Mialski.

O que podemos concluir, então, é que as máscaras de pano podem sim servir de barreira física neste momento, desde que sejam bem manejadas e higienizadas. Vale destacar também que elas não sejam utilizadas por períodos prolongados.

Mas, atenção! Antes de sair por aí costurando e usando máscaras caseiras com a percepção de que isso o deixa imune à infecção, valem essas falas finais de Mialski. “Existem estudos que desencorajam o uso da máscara de pano pelos profissionais de saúde, pois ela pode molhar mais facilmente com o vapor da respiração e, molhada, não garante que as partículas não passem de fora para dentro nem de dentro para fora”, explica.

Ou seja: as máscaras caseiras de pano podem sim ser úteis, mas como um complemento para prevenção ao novo coronavírus. O melhor mesmo neste momento é manter as mãos sempre limpas e evitar o contato com outras pessoas.

Com informações de Life Hacker e The Wire Cutter. / Canaltech