segunda-feira, 12 de maio de 2014

VAI DAR O QUE FALAR - Enquanto divide opiniões no Uruguai, lei da maconha preocupa no RS

Enquanto divide opiniões no Uruguai, a lei que autoriza produção, distribuição e venda de maconha no país vizinho causa preocupação no Rio Grande do Sul. Nos cerca de 2 mil km de fronteira entre o Brasil e o país vizinho, há cidades como o Chuí, onde basta atravessar uma rua para estar no Uruguai.


"Comprar do lado uruguaio e traficar, não tenha duvida que vai acontecer, e isso é uma das preocupações. Este contrabando da maconha, no dia em que for liberada, somos conscientes de que vai existir", disse o prefeito do Chuí, Renato Martins (PP).
No dia 6 de maio, o presidente do Uruguai,José Mujica, assinou um decreto autorizando o Estado a controlar o cultivo e a venda da droga. A lei, no entanto, permite que apenas pessoas de nacionalidade uruguaia ou com residência permanente no país se registrem para comprar o entorpecente legalmente.
A lei derrubou a proibição da produção e do comércio, mas há 40 anos é permitido usar a droga no país. "Eles já fumam, do lado uruguaio fumam na praça, ali. E é um cheiro insuportável", reclama a comerciante Eudocia Babaiane, moradora do Chuí.

Martins teme que a cidade se torne destino para turistas atraídos pela ideia de consumir livremente a droga, e que a possível facilidade aumente o número de dependentes químicos. Segundo ele, o município não tem estrutura para internação em saúde mental, e o tratamento só pode ser feito a mais de 200 quilômetros de distância.
"Não fica nem no Chuí e nem em Santa Vitoria [do Palmar, cidade próxima]. Ele [o dependente químico] vai fazer seu tratamento na cidade de Rio Grande ou Porto Alegre, ou Pelotas", argumentou.
A lei passou a vigorar na última terça-feira. Desde então, é possível ver pés de maconha cultivados em residências no Centro de Montevidéu. É mais um traço de um país pioneiro em mudanças de costumes na América Latina, onde o divorcio é permitido desde 1907, o aborto foi aprovado em 2012 e, no ano passado, entrou em vigor lei do casamento entre homossexuais.
Também é possível ver jovens na Plaza Independencia, fumando maconha em frente ao Palácio Presidencial e a policiais. No entanto, nem todas as pessoas são simpáticas à mudança.
"Não existe forma de controle", diz a recepcionista uruguaia Melanie Leites. "Não sabem, por exemplo, se pessoas drogadas vão dirigir. Eu tenho 18 anos, tenho amigos que fumam, mas não concordo", critica.
Já a estudante Lucia Cano tem outra opinião. "Eu sou a favor, mas apenas do cultivo para consumo próprio, e não que o estado distribua. Não acho certo que o governo lucre com a venda de maconha", afirma.
[ G1 ]

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