segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Paraná inova com criação de sistema de prevenção de desastres naturais

A Rede Paranaense de Monitoramento Hidrometereológico (REPAMH) vai colocar à disposição, em breve, de dados, em tempo real, das previsões meteorológicas, do monitoramento do nível dos rios em todas as bacias hidrográficas do Paraná e da quantidade de chuva. A Rede integra o Programa de Fortalecimento da Gestão de Riscos e Desastres Naturais, lançado no mês de junho pelo governador Beto Richa. 

O programa é coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente e desenvolvido em parceria com a Mineropar, Simepar e Coordenadoria da Defesa Civil. A criação da Rede caminha paralelamente com a instalação de novos equipamentos adquiridos para aumentar a capacidade de monitoramento dos fenômenos climáticos, a prevenção e o alerta aos desastres naturais. Foram investidos R$ 53 milhões com recursos do Banco Mundial. Os dados que serão emitidos pelos novos equipamentos vão integrar a rede. 

"Este investimento significa levar mais segurança para a população, sobretudo para as pessoas que ainda vivem em áreas frágeis”, afirmou o governador Beto Richa. 

De acordo com o secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Luiz Eduardo Cheida, a criação do programa foi uma necessidade apontada pelas alterações climáticas e o aumento na frequência dos eventos extremos no Estado, como fortes chuvas, ventos, granizo e tempestades elétricas. "Era necessário investirmos na modernização do sistema de monitoramento, prevenção e alerta de desastres naturais no Paraná e criarmos uma rede integrada de monitoramento em cada uma das instituições envolvidas para garantirmos o seu andamento de forma permanente e é nisso que estamos trabalhando", afirmou Cheida. 

EQUIPAMENTOS INSTALADOS - Os equipamentos adquiridos estão sendo instalados em todo o Paraná, e muitos já estão em fase de teste. É o caso do novo radar meteorológico - adquirido por R$ 9 milhões e instalado em Cascavel - e que possibilitará ao Simepar fazer a leitura da previsão do tempo em toda a região Oeste do Paraná. Técnicos do Simepar estão participando de cursos para operação do novo radar que entrará em funcionamento em janeiro de 2014. 

Até então o Estado contava com apenas um radar, instalado no município de Teixeira Soares, e que conseguia prever o clima em um raio de 200 quilômetros de extensão. A região Norte do Paraná é monitorada com o apoio de radares do estado de São Paulo, instalados em Bauru e Presidente Prudente. 



"Com o novo radar poderemos medir onde estão ocorrendo os campos de chuva, qual o volume da chuva que está ocorrendo, para onde ela está se deslocando e quanto tempo levará para chegar a determinada cidade, o que antes não era possível", informa Flávio Deppe, pesquisador do Simepar. "Além disso, a compra deste radar significa 100% de cobertura meteorológica no Paraná", diz Deppe. 

Também foram entregues ao Simepar 15 estações meteorológicas e um sistema computacional de alto desempenho para previsão meteorológica, instalado em Curitiba. Além de receber e processar as informações enviadas pelas estações hidrológicas, o sistema tem capacidade para simular fenômenos meteorológicos, inclusive os relacionados a eventos severos. 

O novo Sistema está em funcionamento, mas no momento opera apenas para testes com simulações e avaliações dos resultados. "É preciso calibrar o novo modelo para que os resultados sejam os melhores possíveis e isso leva em torno de seis meses para ser finalizado", explica Deppe. Ele reforça que há dez anos não era frequente a ocorrência de eventos climáticos. "Os investimentos na melhoria das previsões de chuva e em novas tecnologias existentes são extremamente importantes", avaliou Flávio Deppe. 

ÁGUAS PARANÁ - O Instituto das Águas do Paraná - autarquia da Secretaria do Meio Ambiente - recebeu 100 novas estações automáticas pluviométricas (que medem a chuva) e fluviométricas (que medem nível dos rios). Os novos equipamentos têm a capacidade de transmitir a cada 15 minutos o nível da água nos rios e a intensidade de chuva. 

De acordo com o presidente do Instituto das Águas do Paraná, Márcio Nunes, serão instaladas estações pluviométricas e fluviométricas em todas as bacias hidrográficas do Paraná. "Estes equipamentos transmitirão informações em tempo real para as salas de situação da Defesa Civil e do Instituto das Águas, possibilitando o envio de alerta com maior antecedência", explica Marcio. 

Das 100 estações adquiridas pelo Governo, 40 já foram instaladas nas cidades de Maringá, Paranacity, Santa Fé, Adrianópolis, Cerro Azul, Itaperuçu, Castro, Cornélio Procópio, Ibiporã, Irati, Londrina, Tibagi, Guaratuba, Guaraqueçaba, Antonina, Prudentópolis, Sengés, Marmeleiro, Tomazina, Francisco Beltrão, Santo Antônio da Planatina, Jaguariaíva e Região Metropolitana de Curitiba (RMC). 

Outras dez estações estão em processo de instalação nas cidades de Guarapuava, Santo Antônio do Caiuá, Florestópolis, Tapejara do Oeste, Japura, Grandes Rios e Kaloré. O cronograma prevê ainda a instalação de 16 estações no mês de novembro e outras 20 para o mês de dezembro. O Instituto das Águas reservou 16 estações para casos de manutenção e troca. 

O chefe do departamento de hidrometria do Instituto das Águas, Paulo Franco, conta que as estações estão sendo instaladas em rios onde há risco de inundações - após forte chuva - e risco para as populações que vivem nas localidades mais próximas. 

"O Instituto das Águas sempre trabalhou com monitoramento dos rios. Agora passamos a trabalhar também com o alerta. Para isso, as estações automáticas representam um grande avanço, tendo em vista que as informações são repassadas com, no máximo, uma hora de defasagem", informa Paulo. 

HISTÓRIA - As 100 novas estações adquiridas pelo Governo fazem parte do projeto de expansão da rede pluviométrica para todos os municípios do Paraná. Desde 1.930 o Instituto das Águas é responsável pelo monitoramento do nível e vazão dos rios, com 702 estações pluviométricas e fluviométricas manuais instaladas no Paraná. 

“A diferença entre as estações manuais para as automáticas é que as estações manuais são muito mais antigas e permitem apenas a coleta dos dados. Já as estações novas possuem sensores que transmitem os dados a cada 15 minutos", compara Paulo. 

Ele conta que durante 15 anos de trabalho os técnicos do Águas Paraná tinham que ir mensalmente, em cada uma das estações, para avaliar a altura do nível do rio. 

Depois, a população passou a contribuir para o monitoramento da vazão dos rios. Atualmente, 510 pessoas que residem próximo às 702 estações de monitoramento do Instituto estão colaborando na medição dos rios. 

Agricultores e moradores de diversas regiões medem a altura dos rios duas vezes ao dia: às 7h e às 17h. O colaborador recebe uma caderneta para acompanhamento fornecido pelo Águas Paraná e todo mês envia os dados pelo correio em envelope tipo resposta comercial. Após serem conferidas, as informações são cadastradas no banco de dados do Instituto, que armazena a série histórica de 1.700 estações, incluindo as que estão em operação e as que já foram desativadas. 

Os colaboradores não possuem vínculos empregatícios, mas recebem uma gratificação simbólica que corresponde a 1/3 do salário mínimo. 

Há 50 anos a família da dona Ignês Barthe Roessler assumiu o compromisso de medir duas vezes ao dia o nível de água no Rio Pequeno, que passa atrás da sua residência, no bairro Fazendinha, em Curitiba. "O meu marido começou como observador quando ele tinha 18 anos. Ficamos casados por quase 40 anos e todos os dias ele fazia o monitoramento do rio. Há quatro anos ele morreu e eu continuo com esta missão", conta dona Ignês. 

Ela diz que a atividade já faz parte da sua vida e que a gratificação que recebe ajuda com algumas despesas. "É uma atividade que já faz parte da história da nossa família", diz Ignês, que já anotou em sua caderneta o nível do Rio Pequeno com 2,70 metros - a maior cheia da história - e também com 0,50 metros - a maior estiagem da história. 

[ Agência de Notícias ]
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