segunda-feira, 8 de julho de 2013

31% dos municípios do PR não têm hospitais

Dados do Ministério da Saúde apontam que a situação atinge 125 das 399 cidades do Estado, deixando mais de 900 mil habitantes desassistidos. Segundo lideranças, faltam recursos para manter instituições
Fotos: Marcos Zanutto
Pitangueiras, no Norte do Estado, tem só uma unidade básica de saúde para três mil habitantes
Dos 399 municípios do Paraná, 125 não possuem sequer um hospital geral, número que equivale a 31% das cidades do Estado. Os dados são do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (Cnes), ligado ao Ministério da Saúde. Mais de 900 mil paranaenses precisam se deslocar para outras localidades quando necessitam de atendimento hospitalar. 

O levantamento feito pela FOLHA mostra que do total, 104 municípios têm menos de 10 mil habitantes (83,2%). Apesar da grande maioria das cidades ser pequena, há exceções como Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, que tem mais de 100 mil habitantes. 

As localidades sem hospitais se espalham por todas as regiões do Estado. No Norte do Paraná aparecem municípios como Barra do Jacaré, Cafeara, Leópolis, Mauá da Serra, Nova América da Colina, Nova Santa Bárbara, Pitangueiras e Sabáudia. 

Segundo a Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado do Paraná (Fehospar), 150 instituições hospitalares foram fechadas nos últimos dez anos no Estado, sendo 40 após 2010, a maioria de pequeno e médio portes. 

O Paraná possui atualmente 429 hospitais. O último a deixar de funcionar foi o Hospital Metropolitano de Marialva (Região Metropolitana de Maringá) no dia 28 de junho. O estabelecimento, que funcionava há mais de 50 anos, era o único do município de 32 mil habitantes.


"O mais importante é garantir o acesso de atendimento à população em leitos qualificados para urgência e parto, através de uma boa regulação do serviço e de transporte eficiente", afirma Paulo Almeida, superintendente de Gestão de Sistemas de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). 

O Ministério da Saúde (MS) recomenda que o ideal é que existam entre dois e três leitos para cada mil habitantes. A média brasileira é de 1,8 e a paranaense alcança 2,08. "Temos regiões no Estado com grandes concentrações de leitos e outras com déficits, sobretudo na região Oeste. Os estudos mostram que um hospital de média complexidade se torna viável em cidades com mais de 30 mil habitantes", aponta Almeida. 

O presidente da Associação dos Hospitais do Paraná, Benno Kreisel, acredita que o grande número de fechamentos das pequenas instituições é pelo baixo valor que recebem através do Sistema Único de Saúde (SUS). "Os de baixa complexidade recebem ainda menos que os que atendem alta complexidade. E têm mais dificuldades que os filantrópicos porque precisam pagar impostos", frisa. "Os municípios que não têm hospitais possuem um problema populacional, já que sem maternidade ninguém acaba nascendo nestas cidades", ressalta Kreisel. 

Para o presidente da Fehospar, Renato Merolli, a rede hospitalar existente no Paraná é suficiente para atender a população. Ele ressalta, porém, que é preciso que ela funcione de forma adequada e na sua capacidade total. "A regionalização do atendimento em hospitais de referência é uma tendência. Até porque é inviável manter hospitais com baixo grau de resolutividade. O grande problema é que temos sistemas viários ruins e transporte precário, o que dificulta a chegada dos pacientes", afirma Merolli. 

Falta de recursos 

Para o presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Luiz Lázaro Sorvos, a falta de recursos é a maior dificuldade para a manutenção de hospitais de pequeno porte. Ele aponta a regionalização como a melhor alternativa. "Nestes municípios o importante é ter o atendimento básico. Se houver um bom hospital de referência na cidade polo da região já é o suficiente", acredita Sorvos. 

Segundo o superintende da Sesa, no Paraná existem 291 hospitais com menos de 50 leitos, que são considerados leitos não qualificados. "Nestas instituições a resolutividade é baixa, há poucos equipamentos, as condições sanitárias não são as ideais e o custo é alto", explica Paulo Almeida. "Há uma tendência de que no futuro estes hospitais sejam transformados em uma unidade de pronto-atendimento". 

Atualmente, estão em construção no Paraná um hospital em Telêmaco Borba (Campos Gerais) e um Umuarama (Noroeste). Existe ainda projeto para um novo hospital, de urgência e emergência em trauma de ortopedia, em Guarapuava (Centro) e um em Curitiba. "Em Campo Largo a iniciativa privada vai construir o maior hospital do Estado, que destinará 90% dos leitos para o SUS, além de ampliações e adequações que estamos fazendo em hospitais de várias regiões", garante Almeida.
[ FolhaWeb ]

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