terça-feira, 14 de maio de 2013

Primeiro trem elétrico do Paraná será restaurado


Projeto da Associação Brasileira de Proteção Ferroviária vai marcar os 60 anos da chegada da locomotiva “Metrovick” ao Brasil

Acervo de um passado marcado por invenções tecnológicas, a primeira locomotiva elétrica a rodar pelas ferrovias paranaenses – a Metropolitan Vickers Bo-Bo 3000V – completa neste ano seis décadas de chegada ao Brasil. Para marcar a data, a Associação Brasileira de Proteção Ferroviária (ABPF) está dando os primeiros passos para restaurar a raridade, hoje sob os cuidados da entidade em Curitiba. Uma vez reformada, a locomotiva será uma das atrações de outro plano da associação – a criação de um museu nas dependências da própria ABPF, que fica na capital.

Fabricada na Inglaterra ainda no início dos anos 1950, a “Metrovick” teve vida curta nos trilhos paranaenses. Registros mostram que a locomotiva rodou entre 1953 e 1961 no estado, relata o diretor administrativo da regional da ABPF no Paraná, Raul Carneiro Neto. O trajeto percorrido pela “inglesinha” começava em Curitiba e seguia, no sentido Paranaguá, até a estação “Banhado” – anterior à “Véu de Noiva” –, na Serra do Mar.
Uma rede elétrica independente a movia nesta época, permitindo o transporte de cargas e passageiros pela ferrovia eletrificada. “Mas esse sistema foi desativado ainda na década de 1960 e a locomotiva deixou de ser usada”, conta Neto.
Reforma
O diretor administrativo da ABPF no Paraná explica que o projeto de restauração exigirá um trabalho de pesquisa minucioso, sobretudo, porque só existem dois modelos da “Metrovick” em terras brasileiras. Um deles é o de Curitiba e o outro está na cidade histórica de São João Del Rey, em Minas Gerais.

Será preciso atentar para os detalhes na recuperação interna da cabine, maquinário, faróis, sinos, para-brisa e pantógrafo, além de tirar a ferrugem deixada por intempéries das últimas décadas e aplicar novas camadas de tinta. “Provavelmente, a cor que vamos usar será a ‘pinhão’, um marrom avermelhado. Estamos pesquisando bastante sobre os detalhes, em documentos e com o pessoal mais antigo”, explica.
A equipe de restauradores também não descarta buscar peças e outras referências sobre a locomotiva fora do país. Segundo Neto, todos os materiais utilizados no projeto devem seguir normas de segurança previstas na legislação brasileira. “Nossa ideia é que a locomotiva possa funcionar novamente, que ela fique como saiu da fábrica. Mas, por não termos uma ferrovia eletrificada, ela ficará estática, não poderá rodar”, diz.
[ Gazeta do Povo ]

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